segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Sartre en Araraquara


(Fotos Arquivo FCL/Araraquara).
Tal vez los más jóvenes hayan estudiado quién era Sartre, y las/los feministas sabrán mejor todavía quién fue Simone de Beauvoir. Pero pocos saben que ambos estuvieron en visita a Araracuara, en el estado de São Paulo, en la que entonces era la Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), hoy integrada a la UNESP. Pero ocurre que, al mismo y tiempo y mientras ellos participaban en dos encuentros organizados por los estudiantes, una gran parte de la pacata ciudad del interior veía el partido entre el club de La Ferroviaria de la ciudad contra el Santos del aun no tan famoso Pelé. Lo que llevó a un episodio anecdótico que muchos recuerdan todavía.

Sartre en Araraquara,estado de São Paulo.

En el mundo completamente polarizado de 1960 por causa de la Guerra Fría, con el colonialismo francés acorralado por las revueltas de Argelia - lo que a su vez generaba una reacción extremista de la derecha- la Revolución Cubana mostraba la posibilidad real de una alternativa antiimperialista. Fue en este clima que el filósofo Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir y el escritor Jorge Amado, decidieron dedicar un domingo de noviembre a alterar la pacata rutina de la ciudad de Araraquara, a 300 km de São Paulo.

Mientras una parte veía el partido entre el club de La Ferroviaria de la ciudad contra el Santos del todavía  no tan famoso Pelé, ellos participaban en dos encuentros organizados por los estudiantes y por la Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de aquella época, que ahora pertenece a UNESP. Sartre iba a disertar sobre filosofía para un público entre el cual  estaba el hoy ex-presidente, Fernando H. Cardoso, que en ésa epoca era profesor de la USP, además de Ruth Cardoso, y Antonio Candido.

El existencialista francés estaba por entonces pasando um período de casi tres meses en Brasil para participar en el Congreso Brasileiño de Crítica e Historia Literaria, y aprovechaba para dejar enfriar los rencores políticos provocados por su dura oposición al colonialismo francés en Argélia. Fue entonces que el filósofo Fausto Castilho, que en ésa época era profesor de la FFCL, lo invitó a visitar Araraquara. 

Es que Castilho le había preguntado a Sartre cómo podía conciliar su visión existencialista con el marxismo, posición que defendía en seu livro Crítica de la Razón Dialéctica de aquél mismo año de 1960. Sartre le contestó que "la pregunta es difícil y solo podría responderla personalmente, en una conferencia", según cuenta el propio Castilho, que aprovechó la puerta entreabierta para hacerle la invitación y presentarlo en Araraquara.

La llegada de Sartre agitó toda Araraquara y aterró a la Iglesia y a las fuerzas de la derecha de la ciudad, que armaron una campañaa de intimidación para boicotear al filósofo, lo que sólo sirvió para llamar más aún la atención en favor de la ilustre visita.

Sartre, Simone y Jorge Amado llegaron de São Paulo después de descansar en la estancia de los Mesquita, dueños de O Estado de S. Paulo diario paulistano que todavía apoyaba la Revolución Cubana y agitaba la visita de Sartre, un partidario fervoroso del movimiento revolucionario liderado por Fidel Castro, que aún no se definiera públicamente como comunista.

Todavía, y como para aumentar más aún el terror de los distinguidos señores y señoras de la Família, Deus e a Propriedade, ya estando en Araraquara, Sartre y Simone de Beauvoir se encontraron con estudiantes y trabajadores rurales. Antonio Candido y Fernando H. Cardoso hicieron la traducción de la conferencia en un teatro repleto, y Sartre finalmente respondió con lujo de detalles a la pregunta de Castilho, en la única ocasión en que el existencialista francés habló sobre filosofia durante su largo recorrido por una decena de ciudades brasileñas. Mientras, los hinchas de la Ferroviária llenaban las calles festejando, y Sartre pensava que la ruidosa algarabía era producto de la radicalización del pueblo local que se alegraba con su presencia.

Fonte: http://www.unesp.br/aci/jornal/159/memoria.htm

A versão original deste texto foi publicada no encarte especial  Jean-Paul Sartre do Painel – Boletim informativo da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp Araraquara, em setembro de 2001.

Sartre em Araraquara

O mundo no ano de 1960 estava totalmente polarizado pela Guerra Fria, com o colonialismo francês acuado pelas revoltas na Argelia o que gerava uma reação extrema da direita, enquanto a Revolução Cubana mostrava a possibilidade de uma real alternativa antiimperialista. Foi nesse clima que o filósofo Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e o escritor Jorge Amado, decidiram dedicar um domingo de novembro a alterar a pacata rotina de Araraquara, a 300 km da São Paulo. 
Enquanto uma parte  assistia a um jogo entre o clube da Ferroviária da cidade, contra o Santos do ainda não tão famoso Pelé, eles participavam dos eventos organizados pelos estudantes e pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da época, que agora pertence à UNESP. Sartre iria dissertar sobre filosofia para um público entre o qual se contava o  hoje  ex-presidente, Fernando H. Cardoso, na época professor da USP, Ruth Cardoso, e Antonio Candido. 

O existencialista francês estava passando um período de quase três meses no Brasil para participar do Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, e dando um tempo para esfriar os rancores políticos provocados pela sua dura oposição ao colonialismo francês na Argélia. O filósofo Fausto Castilho, ex-docente da FFCL aproveitou para convidá-lo para conhecer Araraquara.
Castilho tinha perguntado a Sartre como era possível conciliar o existencialismo e o marxismo, postura defendida no seu livro Crítica da Razão Dialética daquele mesmo ano de 1960. Sartre respondeu que "a pergunta é difícil e só poderia respondê-la pessoalmente, numa conferência", segundo conta o próprio Castilho, que aproveitou a deixa para fazer o convite  e apresentá-lo em Araraquara.
A chegada de Sartre movimentou Araraquara e apavorou à Igreja Católica e às forças da direita da cidade, que realizaram uma campanha de intimidação contra o filósofo, que o fim só serviu para chamar mais ainda a atenção para a ilustre visita 
Sartre, Simone e Jorge Amado chegaram de São Paulo depois de descansar na fazenda dos Mesquita, donos de O Estado de S. Paulo que ainda apoiavam a Revolução Cubana e a visita de Sartre, partidário fervoroso do movimento revolucionário liderado por Fidel Castro, que ainda não definira publicamente sua convicção comunista.
Ainda para aumentar o terror dos distintos senhores y senhoras da turma da Família, Deus e a Propriedade, já em Araraquara, Sartre e Simone de Beauvoir se encontraram com estudantes e trabalhadores rurais. Antonio Candido e Fernando H. Cardoso a fizeram a tradução do evento num teatro estava lotado, e Sartre finalmente respondeu com luxo de detalhes à indagação de Castilho, na única ocasião em que o existencialista francês falou sobre filosofia durante sua longa passagem por uma dezena de cidades brasileiras, Enquanto isso, os torcedores da Ferroviária cobriam as ruas festejando, e Sartre pensava que a algaravia era fruto da radicalização do povo local que se alegrava com a sua presença.

3 comentários:

  1. Vejam esse debate:
    VB
    Sartre em Araraquara, de José Aluysio Reis de Andrade * 

    Jean-Paul Sartre participou em Araraquara de dois eventos. De um encontro no antigo Teatro Municipal, com estudantes, intelectuais, líderes sindicais e líderes camponeses (entre estes esteve presente o célebre Jofre, que organizava nos longes da Alta Araraquarense um movimento semelhante ao de Francisco Julião em Pernambuco). Foi um encontro sem pauta definida onde se discutiram várias questões de ordem política estando Sartre sempre atento aos movimentos sociais que estavam ocorrendo no Brasil. Funcionou como um dos intérpretes Fernando Henrique Cardoso, então no início de sua carreira na USP. Mais tarde, no salão que hoje leva o seu nome, pronunciou uma conferência de caráter técnico-teórico. Assitiram-na como convidados professores universitários, prestigiosos intelectuais e personalidades preeminentes. Nessa palestra, proferida de improviso, a partir de umas poucas notas procurou responder a uma questão proposta pelo professor Fausto Castilho de caráter eminentemente filosófico que dizia respeito, simplificando, à compatibilidade teórica entre suas grandes obras, “O Ser e o Nada” e a “Crítica da Razão Dialética”, que acabara de ser publicada, em plena vigência de sua aproximação com o marxismo. A primeira representativa de sua fase eminentemente existencialista, voltada para uma profunda reflexão sobre a subjetividade. A outra voltada para a prática política e social, procurando preservar as idéias de sua obra anterior. 
    Fausto Castilho indagou literalmente: “Desde 1943 conhecemos os termos em que o senhor define o filósofo bem como os vínculos que se estabelecem na história, entre ele e sua obra – a História, isto é o limite instransponível ao mesmo tempo para o subjetivo e o objetivo. Contudo, na Questão de Método e mais recentemente ainda na Crítica (da Razão Dialética), o senhor renuncia formalmente ao nome de filósofo. Devemos perguntar se tal declaração não implica para o senhor em uma nova idéia das relações entre o subjetivo e o objetivo? E como dizer-se ideólogo hoje, e, entretanto, não cair nas dificuldades que Marx assinala a propósito de toda ideologia? Em suma, é possível superar a filosofia sem realizá-la?”
    Leiam o livro A conferência de Araraquara, lançado em 1986 pela Editora Unesp em parceria com a Editora Paz e Terra, em cuja preparação e edição colaborei. Uma segunda edição bilíngüe foi publicada pela Editora Unesp, em 2005 (126 páginas,www.editora.unesp.br)
    José Aluysio Reis de Andrade é filósofo e professor aposentado da hoje Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara. 


    http://www.unesp.br/aci/debate/010410-josealuysioreisdeandrade.php
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  2. Vejam isso:
    VB
    Sartre em Araraquara, por José Aluysio Reis de Andrade * 

    Sartre participou em Araraquara de dois eventos. De um encontro no antigo Teatro Municipal, com estudantes, intelectuais, líderes sindicais e líderes camponeses (entre estes esteve presente o célebre Jofre, que organizava nos longes da Alta Araraquarense um movimento semelhante ao de Francisco Julião em Pernambuco). Foi um encontro sem pauta definida onde se discutiram várias questões de ordem política estando Sartre sempre atento aos movimentos sociais que estavam ocorrendo no Brasil. Funcionou como um dos intérpretes Fernando Henrique Cardoso, então no início de sua carreira na USP. Mais tarde, no salão que hoje leva o seu nome, pronunciou uma conferência de caráter técnico-teórico. Assitiram-na como convidados professores universitários, prestigiosos intelectuais e personalidades preeminentes. Nessa palestra, proferida de improviso, a partir de umas poucas notas procurou responder a uma questão proposta pelo professor Fausto Castilho de caráter eminentemente filosófico que dizia respeito, simplificando, à compatibilidade teórica entre suas grandes obras, “O Ser e o Nada” e a “Crítica da Razão Dialética”, que acabara de ser publicada, em plena vigência de sua aproximação com o marxismo. A primeira representativa de sua fase eminentemente existencialista, voltada para uma profunda reflexão sobre a subjetividade. A outra voltada para a prática política e social, procurando preservar as idéias de sua obra anterior. 
    Fausto Castilho indagou literalmente: “Desde 1943 conhecemos os termos em que o senhor define o filósofo bem como os vínculos que se estabelecem na história, entre ele e sua obra – a História, isto é o limite instransponível ao mesmo tempo para o subjetivo e o objetivo. Contudo, na Questão de Método e mais recentemente ainda na Crítica (da Razão Dialética), o senhor renuncia formalmente ao nome de filósofo. Devemos perguntar se tal declaração não implica para o senhor em uma nova idéia das relações entre o subjetivo e o objetivo? E como dizer-se ideólogo hoje, e, entretanto, não cair nas dificuldades que Marx assinala a propósito de toda ideologia? Em suma, é possível superar a filosofia sem realizá-la?”
    Vejam o livro A conferência de Araraquara,1986,Editora Unesp em parceria com a Editora Paz e Terra, em cuja preparação e edição colaborei. Uma segunda edição bilíngüe foi publicada pela Editora Unesp, em 2005 (126 págs,www.editora.unesp.br)
    José Aluysio Reis de Andrade é filósofo e professor aposentado da hoje Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara. 
    Fonte: http://www.unesp.br/aci/debate/010410-josealuysioreisdeandrade.php
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  3. Conta José Aluysio Reis de Andrade(em Sartre em Araraquara),que Castilho indagou: “Desde 1943 conhecemos os termos em que o senhor define o filósofo bem como os vínculos que se estabelecem na história, entre ele e sua obra –a História, isto é o limite instransponível ao mesmo tempo para o subjetivo e o objetivo. Contudo, na Questão de Método e mais recentemente ainda na Crítica (da Razão Dialética), o senhor renuncia formalmente ao nome de filósofo. Devemos perguntar se tal declaração não implica em uma nova idéia das relações entre o subjetivo e o objetivo? E como dizer-se ideólogo hoje, e, entretanto, não cair nas dificuldades que Marx assinala a propósito de toda ideologia? Em suma, é possível superar a filosofia sem realizá-la?”

    José Aluysio Reis de Andrade: filósofo e professor aposentado da hoje Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara.Fonte: 
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  4. www.unesp.br/aci/debate/010410-josealuysioreisdeandrade.php

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Las empanadas de Juana Gorriti, mucha mujer. Parte 3. Final.

sábado, 3 de agosto de 2013

Canudos y las empanadas de doña Juana Gorriti. Parte 3. Final.



Vea la 1ª parte: 
http://javiervillanuevaliteratura.blogspot.com.br/2013/07/las-empanadas-de-juana-manuela-el.html
Vea la 2ª parte:
http://javiervillanuevaliteratura.blogspot.com.br/2013/07/antonio-conselheiro-y-las-empanadas-de.html
Antonio Conselheiro y las empanadas de doña Juana Gorriti. Parte 3, Final.

“Atenta escuchaba
la altiva Cristina
tan grandes dislates
y luego le dijo
con risa burlona
Qué sabia es natura
que así ha separado
con ojo bendito,
del grajo a la alondra,
del cuervo a los cisnes,
del bruto ignorante,
mujer escritora.
Los topos reniegan
del sol que ilumina
y encuentran hermosa
su oscura topera.
El negro gusano
que surca en el suelo
no siente el perfume
riquísimo y suave
que exhalan las flores.
Así para el necio
no tiene atractivo
mujer escritora”.

Y si pensamos mejor sobre la historia de Juana Manuela, amiga y consejera de la autora de estas líneas -Mercedes Cabello de Carbonera- veremos que, aunque lo cuente en broma, ella misma dice que su marido Belzu la repudió por celos; pero el bolivano justifica la anulación del matrimonio con argumentos que la acusan de “indiferencia conyugal y falta de imaginación” en la cama. Y agrega que su “cocina era insufrible” por “el indigente repertorio de carne sancochada, empanadillas insulsas, arroces lánguidos y aves de corral asadas a la que te criaste”. El presidente Belzu incluso denomina “bazofia” al puchero que cocinaba Juana Gorriti y que él comía “de día y de noche”. 

La propia Juana Manuela lo relata como una anécdota en su “Cocina Ecléctica”, y confiesa haberse equivocado al atender más a Plutarco, Virgilio, Racine, Dante y Corneille, que al estómago del celoso marido.
En la misma época en que se desarrollaban estos pequeños dramas conyugales, la arequipeña Beatriz Llosa, otra de las amigas de Juana Manuela Gorriti, agrega a la “Cocina Ecléctica”, todavia inédita, una receta que llama la atención de la salteña, que empieza a investigar decididamente los textos incongruentes -en portugués o en español- que se mezclaban, sin ton ni son, al tema de la culinaria que era el objetivo del libro:

“Los jagunços progresan, armando una gran emboscada a la tropa que lleva comida y armas, provocando enormes bajas y robándoles las provisiones. La falta de alimentos, las bajas permanentes y el hecho de haberse terminado las medicinas, no dejaron más opción que llevar una parte de los heridos que luego morirían en el camino. Pero de a poco, las tropas de la república van tomando Canudos. La confianza resurge en cada bando cada vez que se consigue, en el caso de los jagunços de Conselheiro una cierta cantidad de comida, y entre los del gobierno, arrancar a los insurrectos una porción de terreno.
Finalmente, la tropa militar fue reforzada por otros cinco mil hombres, y Canudos fue por fin arrasada. Murieron unos tres mil soldados y veinticinco mil habitantes del mítico Canudos”.

Mientras tanto, la empleada doméstica peruana Carolina Freyre de Jaimes –en realidad, otra escritora, que en 1874 lanzó con Juana Manuela Gorriti la“Revista semanal para el bello sexo” El Álbum, de corta vida, tal vez porque la salteña saliera de la dirección para editar otro semanario, “La Alborada” -  empezaba a trabajar en la casa del escritor Euclides da Cunha en 1897, mientras este acompañaba al ejército brasileño a la Guerra de Canudos como corresponsal del diario “O Estado de S. Paulo”. Más tarde, en agosto de 1904, Euclides viaja como jefe de la comisión de estudios de limites Brasil-Perú al Alto Purús, para cooperar en la demarcación de las fronteras entre los dos países. Esta experiencia produjo su obra póstuma, en la que denuncia la explotación del caucho en la selva. Partió de Manaus a las cabeceras del río Purus, hasta enfermarse en agosto de 1905. Continuando con los estúdios de los límites, Euclides escribió el ensayo “Perú contra Bolivia”, en 1907. 

Pero volvamos a 1897, cuando Carolina empezó a trabajar para el escritor brasileño: durante la fase inicial de la Guerra de Canudos, Euclides escribió dos artículos titulados “A nossa Vendeia”, que le valió la invitación de “O Estado de S. Paulo” a presenciar el fin del conflicto como corresponsal de guerra. Él creía, como muchos republicanos de la época, que el movimiento de Antonio Conselheiro quería restaurar la monarquía y pensaba que era respaldado por los realistas del país y desde el exterior.

Euclides dejó Canudos cuatro días antes del final de la guerra, sin poder presenciar el desenlace. Pero se las arregló para reunir material suficiente para escribir, durante cinco años el desarrollo del conflicto en “OsSertões: campanha de Canudos”, que después de muchos conflictos personales e idas y vueltas que veremos enseguida, publicó en 1902. Lo escribió "en los raros intervalos de una carrera estresante",  desde que Euclides fuera a São José do Rio Pardo, en el interior de São Paulo, para dirigir la construcción de un puente. El libro trata de la campaña de 1897 en el noreste de Bahía, y en él rompe por completo con sus ideas previas de que el movimiento de Canudos podría ser un intento de restaurar la monarquía, controlado a distancia por los realistas. Se da cuenta de que Canudos y todo el nordeste son una sociedad completamente diferente de la del litoral. Descubre el verdadero interior de Brasil, que es muy diferente de la representación habitual que tenía. Euclides se hizo famoso a nivel internacional con la publicación de esta obra maestra que le valió un lugar en la Academia Brasileña de Letras y en el Instituto Histórico Geográfico.

Por lo que la salteña Juana Gorriti pudo comprobar más tarde, el libro fue reescrito y editado, en realidad, por la arequipeña Beatriz Llosa, sobre la base de los textos que le habían llegado mezclados, en los mismos sobres en que Mercedes Cabello de Carbonera le mandaba sus recetas y las de "El estofado arequipeño" de la propia Beatriz. Pero la veradera autora de los textos sobre Canudos -que en aquellos años de su exilio en Brasil trabajaba como empleada doméstica de Euclides da Cunha- era la peruana Carolina Freyre de Jaimes.

Carolina, enamorada en secreto de Euclides, se desesperaba al ver que su patrón no avanzaba en la escritura de sus textos sobre la guerra de Canudos, partido al medio entre las labores de ingeniería en São José do Rio Pardo y la crisis de celos enfermizos que sufría por causa de su esposa. Conocida como Ana de Asís, la mujer de Euclides era la amante de un joven teniente, 17 años más joven que ella, llamado Dilermando de Asís. Aún casada con Euclides, la esposa infiel tuvo dos hijos de Dilermando. Uno de ellos murió en la infancia, y el otro era llamado por Euclides “el maíz de la mazorca en el medio de la plantación de café", por ser el único rubio en una familia de morenos. Euclides aceptó como suyo al  niño rubio, pero no lograba sacar sus pensamientos de su amor no correspondido por la esposa, Ana.

Como el libro no avanzaba, la peruana Carolina Freyre de Jaimes, para llamar la atención de Euclides, empezó a organizar los textos olvidados del corresponsal de guerra en Canudos. Dividió el libro en tres partes: la tierra, el hombre y su lucha. En ellos, Carolina reescribe y edita las largas páginas en que Euclides analiza la región del sertón bahiano en los aspectos geológicos, botánicos, zoológicos e hidrográficos. Carolina ordena los textos confusos sobre la vida, las costumbres y el corazón religioso del sertanero. Y por último, la peruana Carolina Freyre de Jaimes -que es en verdad una escritora y no solo la buena cocinera y gobernanta de Euclides- reescribe con lujo de detalles la crónica de los acontecimientos en las cuatro expediciones de las tropas del gobierno brasileño enviadas al campo de rebeldes liderados por Antonio Conselheiro.

Pero pasaron los años y Carolina no logró alcanzar el corazón de Euclides da Cunha, que solo tenía ojos, miradas, suspiros y lágrimas para Ana. Euclides finalmente murió el 15 de agosto de 1909, cuando trató de ultimar al teniente Dilermano, amante de su esposa, que lo mató de un tiro certero, en defensa propia.
La peruana Carolina Freyre de Jaimes no sabía exactamente los detalles del drama personal de Euclides da Cunha. Tan solo lo sospechaba, viendo el sufrimiento cotidiano del pobre hombre, enamorado locamente de su esposa. Carolina veía la traición de Ana en la amargura de Euclides. Pero solo lo supo en detalles muchos años más tarde, cuando se desencadenara la tragédia. En 1909, cuando Euclides entra armado en la casa de Dilermando, diciéndose dispuesto a matar o morir. Dilermando, un especialista en armas, reaccionó y lo mató. Más tarde el matador fue juzgado y absuelto por el tribunal militar, se casó con Ana y su matrimonio duró 15 años.

Pero, hacia la época de la edición de “Cocina ecléctica”, Carolina Freyre de Jaimes seguía enviando textos recortados que escribía y reescribía sobre Canudos, ordenando los papeles de Euclides, para olvidarse de su amor no correspondido y del amor insensato del brasileño por su esposa infiel. El libro que va surgiendo, habla sobre la guerra en el sertón bahiano, siguiendo las teorías de finales del siglo XIX -el positivismo y el darwinismo social- conceptos que no le agradan a Carolina, que discorda del modo en que Euclides da Cunha discute la formación de la nueva república brasileña, su estructura racial y su futuro ante las exigencias de progreso que se imponen desde Europa y los Estados Unidos. La segunda parte del libro, después de describir la tierra del sertón nordestino, define al habitante, “El hombre”, al que Euclides da Cunha, según el determinismo de moda, cree que es producto del medio geográfico, de la genética, y del momento histórico y cultural. En esta parte, Carolina reescribe grandes trechos de los originales en los que Euclides describe la psicología del sertanero y sus costumbres.

En la última parte del libro, “La lucha”, Carolina narra el conflicto entre el ejército republicano y los sertaneros, quienes -a pesar de ser considerados racialmente inferiores por los ideólogos del gobierno en Rio de Janeiro, y hasta por el propio Euclides- logran ganar todas las primeras batallas y causar enormes bajas al enemigo, aunque al final, claro, pierden la guerra.

En 1875 la escritora Juana Gorriti viajó por primera vez a Buenos Aires, luego de su largo exilio que la llevó de Salta a Bolivia y a Perú. Tenía que solucionar cuestiones relacionadas con la pensión que le debía el gobierno porteño por ser hija de un guerrero de la independencia argentina. Antes de viajar fue agasajada en una sesión especial por el Club Literario de Lima, el 4 de febrero de 1875, institución que agrupaba a los escritores limeños más importantes. Allí se reencontró Juana con la amiga boliviana, Beatriz Llosa que le contó los detalles de las misteriosas cartas de Carolina, que le habían llegado mezcladas con las fichas para la elaboración de “Cocina ecléctica”
Em la oportunidad Juana pronunció un discurso en el que se mostró contraria a que los padres enviaran a sus hijos a Europa para educarse, sacrificando lo que ella llamó "los sagrados vínculos que unen al hombre con la familia y con el país natal". Juana Gorriti reafirmaba su opción por una educación nacionalista americana. Y, aunque pasó inadvertido para muchos, mencionó los textos con que Carolina Freyre de Jaimes había rearmado “A guerra de Canudos” de Euclides da Cunha, reivindicando al hombre pobre, miserable y flagelado del sertón, que es el mismo martir de todos los interiores de la vasta América Latina.
Carolina no logró su objetivo de ganar el corazón de Euclides, aunque lo llevara un par de veces a su cama solitária de exiliada. Pero sí consiguió ayudar a escribir unas de las páginas más fuertes y doloridas del nordeste brasileño. Recetas culinarias, empanadas salteñas, literatura y feminismo se mezclaron con la tierra seca y sufrida de las letras de Euclides da Cunha.

Fin
Javier Villanueva, São Paulo, 3 de agosto de 2013.

Leer también: Ismael Pinto Vargas, Sin perdón y sin olvido Mercedes Cabello de Carbonera y su mundo, Lima: Universidad de San Martín de Porres(2003). “Juanamanuela mucha mujer” de Martha Mercader, Ediciones  Sudamericana 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

¿Y, al final, quién es el autor del famoso Lazarillo de Tormes?

¿Quién es autor del famoso libro 'El Lazarillo de Tormes'?

EL LAZARILLO DE TORMES. La vida y de sus fortunas y adversidades

“El lazarillo de Tormes” es considerado la obra culmen – o el punto más alto, dicho en palabras más simples– del género picaresco español. 
Lázaro, el protagonista, cuenta de forma autobiográfica sus experiencias y actúa como un espejo que refleja la existencia cruel y difícil para los desfavorecidos en un sistema social de apariencia e hipocresía.

Sus episodios tienen personajes que son arquetipos, – como el ciego egoísta, el cura avaro que lo mata de hambre, el escudero miserable que finge ser más rico y poderoso–, o el clérigo estafador que vende bulas, entre otros, representan una atrevida crítica hacia una sociedad en la que el pequeño pícaro aprenderá a sobrevivir con su ingenio y astucia, robando, engañando y tratando de ascender de posición a toda costa.

Este relato revolucionó la narrativa de la época, hasta entonces dominada por caballeros y pastores idealizados, y se convirtió en precursora de la narrativa contemporánea, realista y descarnada, que refleja conflictos y trata de movilizar al lector en lugar de mantenerle en el sopor de la ficción ideal.



Pero, al final, ¿quién es el autor del famoso Lazarillo de Tormes?

Algunos dicen que fue Diego Hurtado de Mendoza y Pacheco - nacido en Granada en 1503 o 1504 y fallecido en Madrid el 14 de agosto de 1575. Poeta y diplomático español, embajador de España en Italia, desde el siglo XVII hay teorías que lo señalan como el autor del Lazarillo de Tormes.

“La vida de Lazarillo de Tormes y de sus fortunas y adversidades” es una obra editada por primera vez en 1554 y cuya autoria, a pesar de todas las investigaciones más serias o menos serias, al final no está clara. Por eso se considera que es una novela anónima.

Pero en marzo de 2010 la paleógrafa Mercedes Agulló publicó en el libro “A vueltas con el Lazarillo” que el clásico es una obra escrita por el diplomático y poeta español Diego Hurtado de Mendoza. Para confirmar su rotunda afirmación se basa en documentos de la testamentaría del cronista López de Velasco, que fue quien ofició como albacea del poeta.

Según asegura Agulló, consta en los papeles encontrados por Mercedes Agulló, en la citada testamentaría que la famosa novela precursora de la picaresca, con una primera edición conocida de 1554, fue escrita por Diego Hurtado de Mendoza, "personaje fascinante del siglo XVI", según la investigadora.

Mercedes Agulló dice que encontró un documento del poeta y diplomático español en el que anotó un par de renglones que le sirvieron para empezar su investigación: "legajo de correcciones hechas para la impresión de Lazarillo y su propaladia".

Anónimo o com autor conocido, lo importante es leerlo.


LEeH, São Paulo, 10 de agosto de 2017.

http://www.libreriaespanhola.com.br/products/lazarillo-de-tormes1/

sábado, 5 de agosto de 2017

Estación Coghlan y otros cuentos



Una reseña por día, todos los días.

Estación Coghlan y otros cuentos


De la cuentística de Mempo Giardinelli escribió Karl Kohut, de la Universidad de Eichstätt, en Alemania: "Las obras de Mempo Giardinelli son variaciones sobre la condición humana, no en un sentido abstracto sino concreto. Crea el universo de sus obras valiéndose de una escritura que parece realista. Pero ese realismo engaña: es irrealizado con diferentes recursos".
Otros comentarios sobre Mempo y su Estación Coghan:

“Lo sublime y lo grotesco con los términos dialécticos entre los  cuales se distiende la metáfora de Giardinelli para de definir su mundo narrativo. Revela a un escritor que domina el arte de la parodia. Arte duro, difícil. El de manejar la amargura con gracia, la desesperación cantando. Eso es la parodia para-ideia. Giardinelli canta, reflexión, luego habla.” Fernando Alegría, California USA.

“Giardinelli es un gran jugador literario, un lúdico incontrolable y también proclive al erotismo. Todo con una prosa que arrebata y nos lleva a donde al escritor se le da la gana”. Ignacio Trejo Fuentes. Sábado, suplemento de Unomásuno, México.

“En Giardinelli hay sexo y muerte, hielo y fuego, y todo encuadrado en una escritura concisa, precisa, afilada”. Christian Kazandijan. L’humanité/Revolution París. 

AUTOR: Mempo Giadinelli           ISBN: 987-1222-06-08
EDITORIAL: Ediciones B            ANO DE EDIÇÃO: 2005
ANCHO: 15 cm                           LARGO: 23     NÚMERO DE PÁGINAS: 222


Lea más en: http://www.libreriaespanhola.com.br/products/estacion-coghlan-y-otros-cuentos-/

Esta colección de cuentos contiene:

Desembarco en la memoria
El libro perdido de Borges
Estación Coghlan
La otra forma de la espada
La triste historia de las gemelas Popoff
Martita on my mind
Ocho hermanos
Sentimental Journey
Tito Nunca más
Un barco anclado en el puerto de Buenos Aires
Ese tal Rogelio Budman
Kilómetro 11
Mehere come moras, esperando

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Flora Tristán y Mario Vargas Llosa. 2ª parte



Mario Vargas Llosa habla de Flora Tristán y Gauguin

El XIX no fue sólo el siglo de la novela y los nacionalismos: fue también el de las utopías. Tuvo la culpa de ello la Gran Revolución de 1789: el cataclismo y las transformaciones sociales que acarreó convencieron tanto a sus partidarios como a sus adversarios, no sólo en Francia sino en el mundo entero, de que la historia podía ser modelada como una escultura, hasta alcanzar la perfección de una obra de arte. Con una condición: que la mente concibiera previamente un plan o modelo teórico al que luego la acción humana calzaría la realidad como una mano a un guante. Huellas de esta idea se pueden rastrear muy lejos, por lo menos hasta la Grecia clásica. En el Renacimiento ella cristalizó en obras tan importantes como Utopía, de Sir Thomas More, fundadora de un género que se prolonga hasta nuestros días. Pero nunca antes, ni después, como en el XIX, fue tan poderosa, ni sedujo a tanta gente, ni generó empresas intelectuales tan osadas, ni inflamó la imaginación y el idealismo (a veces la locura) de tantos pensadores, revolucionarios o ciudadanos comunes y corrientes, la convicción de que, teniendo las ideas adecuadas y poniendo a su servicio la abnegación y el coraje debidos, se podía bajar a la tierra el Paraíso y crear una sociedad sin contradicciones ni injusticias, en la que hombres y mujeres vivirían en paz y en orden, compartiendo los beneficios de aquellos tres principios del ideal revolucionario del 89 armoniosamente integrados: la libertad, la igualdad y la fraternidad. Todo el siglo XIX está constelado de utopías y utopistas, entre los que coexisten, junto a sectas entregadas al activismo violento semejantes a la formada por los discípulos de Noël Babeuf (1746-1797), pensadores notables, como Saint-Simon (1760- 1825) y Charles Fourier (1772-1837), empresarios audaces tipo el escocés Robert Owen, hombres de acción y aventura, entre los que descuella el anarquista ruso Mikhail Bakunin (1814-1876), soñadores más llamativos que profundos, tal Étienne Cabet (1788-1856), o delirantes del género Jules-Simon Ganneau (1806-1851), mesiánico fundador del Evadisme. El más importante de todos los utopistas decimonónicos, en términos históricos, fue sin duda Carlos Marx, cuya utopía "científica" absorbería buena parte de las que la precedieron y terminaría por cancelarlas a todas. A esta dinastía de grandes inconformes, objetores radicales de la sociedad en la que nacieron y fanáticamente persuadidos de que era posible reformarla de raíz para erradicar las injusticias y el sufrimiento e instaurar la felicidad humana, pertenece Flora Tristán (1803-1844), la temeraria y romántica justiciera que, primero en su vida difícil y asaeteada por la adversidad, luego en sus escritos y finalmente en la apasionada militancia política de sus dos últimos años de vida, trazaría una imagen de rebeldía, audacia, idealismo, ingenuidad, truculencia y aventura que justifica plenamente el elogio que hizo de ella el padre del surrealismo, André Breton: "Il n'est peut être pas de destinée féminine qui, au firmament de l'esprit, laisse un sillage aussi long et aussi lumineux." ("Acaso no haya destino femenino que deje, en el firmamento del espíritu, una semilla tan larga y luminosa.") 

La palabra "femenino" es aquí imprescindible. No sólo porque, en el vasto elenco de forjadores de utopías sociales decimonónicas, Flora Tristán es la única mujer, sino, sobre todo, porque su voluntad de reconstruir enteramente la sociedad sobre bases nuevas nació de su indignación ante la discriminación y las servidumbres de que eran víctimas las mujeres de su tiempo y que ella experimentó como pocas en carne propia.

M.V. Llosa, 2003.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

La Fiesta de Flora, la abuela de Gauguin.

Flora Tristán de Arequipa, Perú, y Paul Gauguin, su nieto

La Fiesta de Flora

    

Mario Vargas Llosa cuenta su pasión por los dos personajes centrales de su novela: Flora Tristán y Paul Gauguin, buscadores del Paraíso.

La novela de Mario Vargas Llosa, "El Paraíso en la otra esquina", cubre, como dice el propio escritor, toda la peripecia vital de dos personajes fascinantes: la peruana Flora Tristán, -hija del arequipeño Mariano de Tristán y Moscoso y de la francesa Anne Pierre Laisnay, feminista y socialista-, y Paul Gauguin, nieto de Flora y pintor que vivió en Lima algunos años de su infancia. 

Gauguin, hastiado de su ambiente europeo, sintió el llamado salvaje de tierras lejanas y de otras civilizaciones, que él consideraba más primitivas. Abandonó Europa y se marchó a Tahiti, donde su pintura empezó a adquirir otros colores. Pero dicen que, estando en las lejanas islas, un día comentó: "Mi abuela era una mujer curiosa". La verdad es que en sus memorias póstumas, "Antes y después", libro aparecido en 1918, se nota que el conocimiento que tenía de ella, Flora Tristán, no era tan profundo. Pero a ambos los unía un vínculo fuerte de la sangre, algo que seguramente se reflejó también en sus caracteres y temperamentos, convirtiéndolos -a cada uno a su modo- en dos seres fuera de lo común.

Sin duda que Flora Tristán fue mucho más que lo que entendemos por una personalidad excéntrica. En la historia del socialismo utópico del siglo XIX y en la del feminismo mundial, Flora Tristán ocupa, por lo menos, un lugar tan importante y destacado como el que su nieto tiene en la historia de la pintura de su época.

En este libro el escritor Vargas Llosa hace un contraste de dos personalidades y de los dos sueños respectivos. "Un sueño utópico social y un sueño utópico artístico". Además, la obra refleja los brillos y las tragedias del siglo XIX, una época de grandes construcciones utópicas que irían a eclosionar en el siglo XX.

Hay quien considere a Flora Tristán una de las precursoras del pensamiento de Marx y Engels, que le dieron al socialismo su carácter científico. Flora murió un poco antes, el 14 de noviembre de 1844, todavía joven, a los 41 años. 

Su féretro fue llevado hasta el cementerio de Burdeos por los obreros de la ciudad, que juntaron dinero para comprar un terreno donde levantarle un monumento. Fue inaugurado el mismo año de la publicación del Manifiesto Comunista, algunos meses después de la insurrección de 1848, y lleva grabada una inscripción simple: 

"A la memoria de la señora Flora Tristán, autora de la Unión Obrera, los trabajadores agradecidos. Libertad, Igualdad, Fraternidad, Solidaridad".

Como una coincidencia más, el pintor que más tarde largaría la vieja Europa para irse a vivir y pintar en la Polinesia, nació en ese mismo año de 1848. 
Paul Gauguin escuchaba a su madre Alina hablarle de su abuela como un personaje fabuloso, errabundo y original, que en aquella época hacía algo excepcional, como era viajar de un continente al otro, cruzando los mares, siempre dedicando su vida a luchar por el socialismo y por la causa de la mujer. 
Tal vez por eso mismo Gauguin llegó al Perú magnetizado por los pasos de su mítica abuela, una belleza de ojos enormes, mestiza vibrante de la vieja Europa y la joven América.

En 1838 Flora Tristán publicó en "Le Voleur", de París, algunas cartas íntimas de Bolívar a su madre, Teresa Laisney. Ambos se conocieron en Bilbao y siguieron viéndose en París, cuando estaba casada con Mariano Tristán. Era también una visita asidua en la casa el científico Bonpland, amante obsesivo del continente americano. 


Allí conversaba Bonpland con Bolívar, que tanto lo apreciaba que, cuando años después el sabio naturalista se encontraba preso en Paraguay, amenazó a Francia, "El Supremo", con marchar para libertar al "mejor de los hombres y al más célebre de los viajeros".

Flora Tristán viaja más tarde a Arequipa, entre 1833 y 1834 y lo narra con detalles alucinantes en su libro "Peregrinaciones de una paria", que aparece en dos tomos, en París en 1838. Un libro crudísimo sobre la Hispanoamérica de entonces. Era tanta la verdad áspera que el texto desnudaba que los pocos ejemplares recibidos en Arequipa -donde su tío que había sido el último Virrey seguía mandando- fueron quemados en la plaza pública. Ya transcurrió un siglo y medio desde su publicación y el lector contemporáneo puede leerlo con el mismo interés que muestra hoy, en muchos aspectos, un testimonio todavía fresco muy actual.

Desde su punto de vista conservador y atrasado, tenían muchos motivos para escandalizarse los que hicieron con esos licenciosos volúmenes, llegados de París, un auto de fe, al quemarlos en plaza pública. Era el amor propio herido, o el sentido de casta de una mentalidad colonial. Pero sobre todo lo que se condenaba en el texto era su veracidad, su ideología revolucionaria, que tenía sabor a pecado capital para la pacata aristocracia peruana de aquella época. Los espantó tanto o más de lo que hoy los horrorizaría el ya viejo fantasma del comunismo. (JV).

Veamos ahora la entrevista a Mario Vargas Llosa sobre el libro y sus personajes, por Teresina Muñoz-Najar:

¿Vamos a hablar sobre Flora o sobre Gauguin?, pregunta Mario Vargas Llosa. 
No me atrevo a decirle que me gustaría conversar especialmente sobre Flora. Son las 6 de la tarde y el escritor, como todos los días a esa hora, ha cerrado los libros, ha dejado a un lado las libretas de apuntes y ha apagado la computadora. 

El tema de su próxima novela El Paraíso en la otra esquina trata, justamente, sobre esos dos personajes: Flora Tristán y Paul Gauguin. Abuela y nieto. 
Es una novela de vidas paralelas, afirma Vargas Llosa. No obstante, el entusiasmo con el que desde el inicio habla del pintor obliga a sospechar que es él quien lo ha cautivado más y que tal vez le está robando protagonismo a Flora en su libro. 

Pero no es así: La novela -explica- iba a ser al principio exclusivamente sobre Flora Tristán pero leyendo sobre la familia, sobre la descendencia, de pronto descubrí que Gauguin había heredado de la abuela -aunque no la conoció porque nació cuatro años después de muerta ella- la personalidad. Era muy rebelde, muy soñador, incapaz de aceptar la realidad tal como es, siempre ilusionándose con un mundo diferente, como Flora. Ambos buscaron una utopía. Una especie de paraíso.

-¿La sociedad perfecta?

-Flora buscaba una sociedad justa, igualitaria, donde no hubiera discriminación, donde mujeres y hombres gozaran de absoluta igualdad. La de ella era una utopía justiciera.

-¿Y la de él?

-A él no le interesaba la justicia social. Él tenía una utopía de tipo artístico. El quería un mundo donde la belleza estuviera al alcance de todos. Gauguin pensaba que la civilización occidental había entrado en una inclinación violenta porque la belleza se había convertido en el patrimonio de una pequeña minoría, de artistas, críticos y coleccionistas, y que en las sociedades primitivas donde el arte se confundía con la religión era donde la belleza estaba al alcance de todos. Y eso es lo que él fue a buscar. Eran dos utopías inalcanzables, como son todas las utopías, pero la búsqueda de esa, digamos, sociedad ideal hizo que la vida de los dos fuera fascinante. Llena de aventura, de sufrimiento, de frustraciones.

-Gauguin, sin embargo, no se expresaba muy bien de su abuela, decía que Flora era una "marisabidilla socialista, anarquista", por ejemplo...

-En realidad él no sabía mucho de ella. Yo creo que ni siquiera leyó sus libros. La madre de Gauguin, por razones bastante comprensibles, no debía tener muy buen recuerdo de Flora. Aline vivió siempre muy abandonada, estuvo siempre en manos de nodrizas.

-¿Cómo va a reflejar esa relación de Flora y su hija?

-Pienso que Flora no tuvo un gran cariño por su hija. La niña se crió fuera de ella. Cuando se encariña mucho con una obrerita que fue una gran seguidora de ella -se llamaba Eleonore Blanc- le dice en una de sus cartas que la quiere más que a sus hijos. Unos hijos a los que no quiere, creo yo, también muy comprensiblemente, porque le recordaban el horror de su matrimonio. Para ella el matrimonio con André Chazal fue un horror. Flora quedó espantada, no sólo de la institución sino incluso, por buena parte de su vida, del sexo en razón de ese matrimonio.

-¿Por eso no pudo amar a Chabrié? (el capitán del buque que trae a Flora al Perú).

-Ella tuvo siempre un impedimento, que venía de ese trauma matrimonial, para tener una relación afectiva normal, entonces no tuvo ninguna salvo con una mujer. Eso es algo que se ha descubierto recientemente. Se llamaba Olympe Chovzko, una francesa casada con un polaco que fue uno de los héroes de la independencia de Polonia. Con ella, evidentemente, por la correspondencia encontrada -son cartas muy sintomáticas- tuvo una relación amorosa que parece haber sido muy buena y muy sana para Flora. Estoy haciendo muchas conjeturas pero me parece que ese romance le devolvió, si alguna vez lo tuvo, el amor al sexo, al cuerpo, al placer físico. Pero, y esto es muy interesante para conocer el carácter de Flora, cuando ella decide formar la Unión Obrera -esa institución que iba a hacer la gran revolución uniendo a las dos víctimas de la sociedad, las mujeres y los obreros- rompe con Olympe. Y rompe porque considera que su misión es incompatible con el egoísmo que significa el placer.

-Cuando Flora viene al Perú ¿lo hace únicamente para reclamar la herencia de su padre o también quiere saber de sus raíces, de su identidad?

-Ella viene huyendo de André Chazal. Flora estaba desesperada, no soportaba más esa vida parasitaria de objeto conyugal, entonces busca un pretexto, huye y desaparece. Hay un gran paréntesis de su vida en todos esos años porque nadie sabe dónde estuvo. Yo creo que estuvo en Inglaterra trabajando como sirvienta. Es allí donde aprendió inglés y, además, como trabajó como sirvienta, una experiencia durísima para ella, concibió ese odio por Inglaterra que está reflejado en ese libro tremendo que es Los Paseos por Londres. Luego, se le presentó la oportunidad de venir al Perú dónde tenía un tío, Pío Tristán. Seguramente tuvo la idea de que el tío se compadecería de ella, la admitiría como hija legítima y le reconocería derecho a la herencia. No obstante, yo creo que sobre todo vino huyendo de André Chazal.

-Pero finalmente, su experiencia en el Perú fue un tanto dramática pues el tío no le reconoció nada...

-Pero fue una experiencia definitiva. En esos momentos ella era una rebelde pero no una revolucionaria. Ella adquiere una conciencia social y política aquí. En Arequipa vive como en un laboratorio. Por una parte no pasa hambre y de ser una provinciana pasa a ser una niña mimada, privilegiada y cortejada, por otra, se da cuenta que ese es un mundo donde hay desigualdades sociales y económicas abismales. Y curiosamente, yo creo que un personaje que para ella es fundamental es la Mariscala. Cuando Flora descubre que en este país una mujer puede estar en los campos de batalla, luchando al lado de su marido, vestida de soldado y que en los años en que Gamarra fue presidente tuvo un poder acaso mayor que el del Presidente, queda muy pero muy impresionada. Cuando Flora se va del Perú, era otra persona. Y, afortunadamente, no le dieron la herencia. Se hubiera convertido en una burguesita con ínfulas aristocráticas y hubiera llevado esa vida parasitaria que luego ella desprecia tanto.

-¿En qué clase de persona se convierte?

-En una persona decidida a pelear, con una conciencia social, convencida que se puede dar una batalla, que se pueden reformar las leyes y la primera manifestación de eso es Peregrinaciones de una Paria, donde con un coraje extraordinario cuenta toda su vida, que había huido de su marido, llamándose a sí misma una paria, exponiéndose, bueno, a lo que se expuso. El libro tuvo mucho éxito y Flora salta de pronto a ser parte del mundo intelectual en París.

-En "Peregrinaciones..." Flora es muy crítica con el Perú, muy dura, ¿exagera?

-No exagera y, en cierta forma, el Perú no ha cambiado tanto. Sigue siendo un país de grandes contrastes, de una enorme frivolidad. Y a Flora, le fascina y le horroriza la frivolidad. Ella descubre en Arequipa, por ejemplo, que la gente de la "buena sociedad", sabía más de París que ella. Luego conoce a personajes como Clemente Althaus, absolutamente fascinante: el mercenario que ha cambiado 14 veces de bando en el tiempo que lleva en el Perú y que es el único que cree en la guerra porque para él la guerra es su manera de mantenerse. Ahí está su tío Pío Tristán, uno de los últimos virreyes del Perú y uno de los primeros presidentes de la república. O sea que, qué mejor símbolo del oportunismo con que se vivía en medio de las guerras civiles, las luchas de caudillos, las luchas de facciones. Flora es muy crítica de todo eso.

-Basadre, en el prólogo de la primera edición en español de "Peregrinaciones..." (1946), dice que Flora no se prodiga demasiado, que no revela todos sus sentimientos...

-Ella se vuelca mucho. Lo que ocurre es que cae muchas veces en convencionalismos pero eso es porque no es una mujer educada, es una escritora nata pero es una mujer sin educación. Nunca fue al colegio.

-¿Es cierto que tenía muy mala ortografía?

-Terrible ortografía. Fue su gran vergüenza toda su vida. Ella lo poco que aprendió lo aprendió en su casa. Por eso la educación de las mujeres fue uno de los leivmotivs en su lucha social. ¿Por qué a las mujeres se les niega una educación, una formación intelectual y científica?, preguntaba ella. Y Flora suplió todas esas carencias a base de empeño y de voluntad.

-¿Cómo describe usted a Flora?

-Se sabe que era más bien menuda, de cabellos muy negros y piel muy blanca. De ojos muy grandes y oscuros. Le decían la "andaluza". Los testimonios dicen que era muy atractiva porque era muy viva y desenvuelta y podía ser coqueta cuando quería. Al mismo tiempo, en su personalidad había algo que intimidaba a los hombres. Los hombres no estaban acostumbrados a una mujer que les hablara de igual a igual y que además podía ser violenta, tremendamente violenta, de arranques, de desplantes durísimos. Las cartas de Olympe, son cartas muy apasionadas y en las que hay grandes elogios a la belleza, la delicadeza y la ternura de Flora.


-¿El personaje más siniestro?

-André Chazal. Era realmente una bestia, una bestia. Violó a la hija. Violó a la madre de Gauguin cuando ésta tenía 14 años y nunca lo condenaron por eso. Si años más tarde no se le hubiera condenado a 20 años de prisión por pegarle un tiro a Flora Tristán, habría quedado impune.

-¿Ese balazo tuvo que ver con la muerte de Flora?

-El final de Flora fue muy dramático. Ella hace una gira por Francia promoviendo la Unión Obrera cuando en realidad ya se está muriendo a pedazos. Esos últimos ocho meses fueron terribles. Yo sospecho que fue un cáncer a los ovarios y claro, el balazo debió acelerar ese proceso porque la bala la tuvo siempre junto al corazón. Entonces, cuando le daban sus famosos colerones -había generado una personalidad díscola, irritable, peleadora-, sus terribles rabietas, ella sentía el metal de la bala en el corazón, era como un llamado de su propio cuerpo diciéndole cuidado, hasta aquí no más. Pero yo creo que fue el cáncer quien la devoró.

-Es un hecho que Flora Tristán es una pionera del feminismo, ¿es verdad también que se adelantó a Marx?

-Si alguien merece ser considerada como una pionera del feminismo es Flora, sin ninguna, pero sin ninguna duda. Ahora, ella muere cuatro años antes de que se publique el manifiesto comunista de Marx y el manifiesto borra todo lo de ella. Pero en realidad, la primera persona en el mundo que desarrolla la idea, la idea base del marxismo, de que la clase obrera, por ser la clase explotada, que sólo vende su fuerza de trabajo, que no tiene ningún interés por defender, es por lo tanto la única que puede librar a la humanidad de la injusticia, de la explotación e iniciar una revolución, no a escala nacional sino a escala mundial, que cree en un mundo de justicia, no es Marx sino Flora Tristán.

-Flaubert decía que él era Madame Bovary, ¿dirá usted más tarde lo mismo respecto a Flora?
-Sí; de alguna manera uno se vuelca en los personajes que inventa.

Javier Villanueva. 1º de agosto de 2015. 
Trecho final: entrevista de Teresina Muñoz-Najar a Mario Vargas Llosa.